Fundação Universidade de Caxias do Sul
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Notícias - SAIBA COMO ESTÁ A ROTINA DOS MÉDICOS RESIDENTES QUE ATUAM NA LINHA DE FRENTE DO COMBATE À COVID-19 EM CAXIAS DO SUL


04/09/2020

A chamada "linha de frente" do combate à covid-19 é formada por diversos profissionais, principalmente da área da Saúde. Um dos elos desta corrente que, bravamente, ampara a comunidade diante de uma crise sanitária histórica para Caxias do Sul — e para o mundo — é a residência médica. Na busca por especialização, em diferentes áreas, estes médicos-estudantes enfrentam bravamente os desafios diários que uma pandemia promove dentro da rotina hospitalar, encarando a experiência como algo que irá marcar suas carreiras — e suas vidas — para sempre.

— Além da paramentação e de todos os cuidados, mudou o fluxo de trabalho e a maneira como nos relacionamos com os familiares dos pacientes. A rotina exige muito trabalho, não consigo imaginar alguém exercendo a medicina sem gostar daquilo que faz. A pandemia reafirmou a minha escolha e a sensação de que estamos fazendo a coisa certa — relata a médica Fernanda Zanco do Santos, 28, que cumpre o segundo ano de residência no Hospital Geral (HG), com especialização na área de infectologia, escolhida ainda antes de ela imaginar que viveria uma pandemia mundial.

— Essa é uma experiência que eu jamais teria em qualquer outra situação. Acompanhei toda a reorganização do hospital e a formulação dos protocolos internos de prevenção ao contágio — conta.

Natural de Passo Fundo e formada em medicina pela Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Fernanda convive com uma realidade comum a muitos médicos residentes que atuam na região: a distância da família. Se por um lado a saudade aperta, por outro o afastamento representa, para ela, a segurança de seus familiares.

 — A preocupação com o contágio é menor. Eu visitava meus pais uma vez por mês e, nos dois primeiros meses da pandemia, não fui. E depois, quando fui de novo, vi eles pelo lado de fora e voltei — lembra a residente.

O risco de contaminação é inerente a quem presta atendimento aos pacientes com covid-19, seja em casos leves, moderados ou agudos, embora a atuação dos residentes seja mais restrita na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Geral, em função do nível de experiência que a função demanda.

Mesmo tomando todos os cuidados, com equipamentos de proteção individual disponibilizados pelo hospital, da equipe de 64 participantes do programa de residência no local, oito já foram afastados por terem contraído coronavírus. Uma dessas pessoas é Bruna Siqueira, 31, que está no segundo ano de residência em medicina interna, formação que abre caminhos para especialidades como a medicina intensiva.

— Tive sintomas leves, mas que me deixaram bastante debilitada em casa. Mesmo tendo passado pelo doença continuo atenta, tomando todos os cuidados. É algo muito novo, a medicina ainda está descobrindo muita coisa — afirma a médica residente, que atua na enfermaria da clínica médica e também na UTI do Hospital Geral.

Em meio aos inúmeros desafios, Bruna encara o momento como uma oportunidade de se desenvolver, ainda mais, na profissão que escolheu.

— A gente amadurece, se obriga a estudar muito mais, acompanhar as novas diretrizes. Um bom profissional é aquele que está sempre atualizado — avalia.

O desempenho da equipe de residentes, aliás, é motivo de orgulho para os médicos que acompanham o trabalho dos recém-formados. Como coordenador do Programa de Residência em Clínica Médica, o médico intensivista Fabrício Piccoli Fortuna é responsável por uma equipe de 17 profissionais e destaca a importância do trabalho que vem sendo realizado.

— É um pessoal jovem, destemido, que cumpre seu papel com heroísmo, assim como os profissionais da enfermagem e outras áreas que atuam aqui dentro. Algo que deve ser reconhecido pela sociedade.  A pandemia tem sido um desafio até mesmo para mim, com 20 anos de medicina, e mesmo com o cansaço, o estresse e todas as mudanças que estamos vivendo, eles não baixaram a cabeça — reconhece o coordenador.

Experiências que vão refletir na medicina

Para o médico oncologista, professor do curso de Medicina da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e diretor de ensino do Hospital Geral, André Reiriz, a pandemia marca um momento de mais atenção voltada para a saúde o que, na visão dele, pode representar uma valorização da atividade hospitalar no futuro. Além disso, ele acredita que, como profissional médico, inserido em uma rotina de trabalho intensa, ainda não seja possível mensurar a dimensão do momento vivido. Ainda assim, os reflexos, sejam eles negativos ou positivos, serão inevitáveis:

— A covid-19 está trazendo uma sintonia mais consistente entre os profissionais que compõem uma mesma equipe, chancelando a multidisciplinalidade como um fato. Além disso, fazer a formação em um período de pandemia, com todas as adversidades que se apresentam... Não tem como sair disso igual — conclui.

Matéria do Jornal Pioneiro, publicada em 04.09



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